sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cartas a Theo, Arte Pós Impressionista e meu querido Van Gogh


Eu gosto de Van Gogh, do Van Gogh pós-impressionista que inaugura uma nova forma de captar cores, pinceladas, composição e tela, do Van Gogh pré-expressionista que pinta de forma frenética quase visceral, explorando emoções em uma época de impressões, do Van Gogh "suicida da sociedade" que na reclusão e solidão fez sua arte em resposta à sua exclusão. Eu amo Van Gogh, o pintor incompreendido, por N razões incompreendidas. Eu amo suas pinturas simples por captarem a densidade e a expressividade de objetos e pessoas, por ter encontrado na humilde vida e na morte um caminho para a imortalidade, por ter pintado seus auto-retratos retratando dramas tão individuais a cada pincelada.







É irônico perceber que as grandes mudanças da história, neste caso, da Arte moderna vem dos mais incompreendidos: Van Gogh "o suicida", Paul Gauguin "o selvagem"...Todos se exilaram longe de Paris, o centro da Arte. Na fuga e no isolamento, encontraram um ambiente de pesquisa, de fazer arte testando novas sensações e alterando a estrutura de seus trabalhos. E nessa viagem, acompanhei Van Gogh em meus pensamentos fugazes, como se eu estivesse no Sul da França, seu porto seguro em meio à solidão. Neste lugar de introspecção, Van Gogh encontrou algo que amava - uma paisagem do Japão. Dizem que o Sul da França era assim...Ele amava arte japonesa, principalmente as gravuras: a simplicidade nas cores e nas composições. Assim ele queria sua arte, alegre e simples. Densa ela também se tornou, assim como densos ficaram seus pensamentos. Pensamentos que convergiam em pinceladas em sintonia com suas emoções. Era triste, era feliz, ansiava por vida e por morte. Pensamentos contraditórios, instáveis produzindo traços fortes em pinturas turbulentas. Assim foram seus últimos auto-retratos.


As naturezas mortas vibravam com a luz do sol atravessando como labaredas de fogo sobre a matéria e seu corpo, como matéria, queria estar morto a ponto de Van Gogh se auto-punir. Autoflagelação eis o que lhe ocorreu intempestivamente. Cortou um pedaço da própria orelha, queria ver se a dor física era maior que a dor do espírito. Entre dores em crises, a maior foi em um domingo, ao passear pelos trigais, lá ele se silenciou para sempre.





Os ciprestres, 1889 . Um dos meus preferidos.

Pertence a fase febril e conturbada.
pinceladas frenéticas que se afastam da realidade objetiva.


Eu gosto do Van Gogh louco. Na sua loucura, foi livre. Na sua liberdade, foi artista. Na sua arte, foi mais livre. Livre para pintar emoções internas e ser precursor de uma arte de expressões..que amo. Em carta ao irmão Théo, o livro dos escritos de Van Gogh, ele comenta: "As emoções, são por vezes, tão fortes que trabalho sem ter consciência de estar trabalhando... e as pinceladas acodem em sequência e coerência idênticas à de palavras numa fala ou carta."

Se uma última pincelada é como uma última palavra, aqui encerro a minha voz interior sobre este meu amado pintor.




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